segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Final feliz

Rebeldia da Helena

Minha pequena Helena sempre revisa meus textos. Encerrada uma nova crônica chamei-a para fazer a revisão. Leu com o cuidado e o carinho costumeiros, pelo caminho da leitura ia corrigindo a pontuação. A história tinha apenas dois personagens: um moço com ar de formalidade e uma menina decididamente apaixonada.

Helena chegou ao final da leitura e disse não ter entendido.  Releu a história. O final era sutil, deixando livre a interpretação ao leitor. Na condição de autora, para mim estava muito claro: a menina morria no final. 

Dizia a história que anoitecia, ela dormiria para sempre, cansada de tanto esperar a volta de seu grande amor. Não era qualquer desfecho de vida e nem havia morrido de amor, era uma morte sublime. Seu coração estava repleto e preenchido, envelheceu e simplesmente partiu sem dor ou agonia, ainda que solitária.

Fofura aparente!
_ Como assim, “caaaara”. Na moral, como “tu” termina uma história desse jeito? Que absurdo!!! Não vou corrigir, não vou corrigir mais nada! Não me chame mais.

Eu gosto de filme triste porque prefiro chorar com a ficção!

Mas a minha pequena revisora, num ato de pura rebeldia e subversão, me fez mudar o final da história. Manda quem pode, obedece quem tem juízo: eu nunca sei onde coloco as vírgulas, uso todas as reticências do mundo e dez pontos de exclamação. Então, terminei a história dizendo: 

_ Boa noite, meu bem. Durma com anjos! Espero-te amanhã e depois também!


_ Ahhh, agora sim!


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