segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Cantiga para HeleBia



Minhas filhas são adoráveis, a começar pelo amor incondicional que elas me têm, apesar deste meu jeitinho esquecido de ser!

Perder-me nos lugares não é dúvida: é certeza. Noutro dia eu e as minhas meninas queríamos ir à Praia Vermelha, eu na direção do carro. Depois de me perder duas vezes tentando achar o caminho chegamos à Ipanema. Ah, tudo bem, é praia também.

Ter mãe transtornada é assim, não existe essa coisa de querer ir a algum lugar, a gente chega onde consegue chegar. Nunca sei a diferença entre esquerda e direita, iPod e iPad e assim por diante. Eu sempre esqueço o nome de coisas muito simples:

_ Como é mesmo o nome daquele negócio que a gente joga o macarrão depois que fica pronto?

_ Escorredor de macarrão, mãe! 



_ É isso! Obrigada, querida. Pega pra mamãe, por favor.


Um dia perdi a Beatriz na praça. Tinha uma apresentação circense e paramos para ver, ela tinha pouco mais de um metro e eu podia vê-la na minha frente com minha visão periférica enquanto conversava com minha cunhada. De repente não mais a vi. Comecei a gritar e correr pela praça, mobilizei toda a família em busca da criança. Roubei a cena: os espectadores do circo já me olhavam querendo saber o que estava acontecendo. Até que alguém disse:

_ A menina está aqui!

_ Onde?

Onde!?! No mesmo lugar em que eu a deixei, ela apenas havia se sentado, e continuava entretida com a apresentação.

Mas o pior foi o dia em que esqueci o nome da minha filha mais nova. Uma amiga me encontrou na rua quando estava a caminho do pediatra para uma consulta de rotina.

_ Lindo bebê, é uma menina, não é?


_ Sim! (E disso eu não tive a menor dúvida)



_ E como é o nome dela?


Eu olhava para a pessoa, depois para o bebê em meus braços, novamente para a pessoa, e para o bebê... um branco em minha mente, vazio total. Desesperador. Não conseguia lembrar o nome da pequena criatura. Só tinha uma semana em minha vida, a anestesia ainda entorpecida minha mente, já não sabia mais o que dizer pra mim mesma, nem que desculpas iriam me desculpar? Por fim, eu disse constrangida:

_ Eu não me lembro!

Helena é o seu nome, lindo nome, linda menina. Seu nome é uma canção muito especial para mim (Helena – Byafra), embora ela goste de pensar que é a homenagem à Helena de Tróia, a mais linda mulher já nascida no planeta em todos os tempos, motivo de disputa entre Menelau e Páris. Então se apresenta aonde chega, a despeito de toda essa história, com personalidade e ousadia: não sou Nena, não sou Leninha, meu nome é HELENA.



Elas são companheiras de viagem, lindas por dentro e por fora, as melhores. E já me prometeram que quando a melhor idade chegar, serão minhas mães, não me perderão na praça nem esquecerão meu nome. Que bom!

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