sábado, 10 de outubro de 2015


Gavetas


Com as marcas do tempo em minha pele e por todo o meu corpo, porém com a intensidade adolescente, acreditei que seria possível refazer caminhos. Tomada de coragem e determinação, revirei as gavetas da alma, procurei os versos escritos em cadernetas amareladas e me calcei de humildade e desprendimento para caminhar por lugares já esquecidos, permitindo-me chorar todas as lágrimas até secar e empalidecer, para depois sorrir e gargalhar, apaixonar-me loucamente, entregando-me ao vento sem nem saber para onde ele me levaria.

Não me levou a lugar algum esse tal de vento.  Aqui estou eu, dei voltas em círculos sem sair do lugar. Tornar-me alguém desinteressante e sem decência, com o coração indolente não estava em meus planos, não era esse o caminho que eu desejava tomar. Entre o que fui e as incertezas de quem serei, sou pedaço, sou retalho, mas sou potência.

Ainda sou noite escura, mas quando o dia amanhecer, eu não vou querer acordar. Vou sonhar o dia inteiro, abrirei os olhos, levantarei da cama, mas minha mente não despertará, está decidido! Quando se sonha, tudo é possível, não há fronteiras, não há barreiras, não há distância: respirar embaixo d’água e voar como pássaro, encontrar pessoas queridas, amores perdidos e tesouros escondidos.


Já tenho cede, cede de viver uma nova história, leve e madura. Com zelo e paciência, arrumo as gavetas, seco as lágrimas, refaço as malas, reinvento os caminhos, reescrevo meu destino... desta vez não mais ao sabor do vento, mas ao labor das pernas na direção escolhida. Não há certezas, há coragem apenas. 

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