Amor à primeira batida
Nem
sempre aquilo que nos parece um desastre é de fato ruim, como
um amor à primeira batida, por exemplo.
Mariana
e Mauro se conheceram em uma dessas situações no mínimo conflituosa, pra não
dizer belicosa, mas hoje (eu juro que sim) vivem entre “os meus, os seus e os
nossos” e, apesar do cotidiano, em imensa felicidade.
Mariana
é conhecida por sua impulsividade quase teatral, beirando a insanidade, mas uma
delícia de pessoa, amável e educada, desde que não seja provocada. Separou-se
do marido depois de descobrir que o infeliz tinha uma amante. A princípio
tentou reconquistá-lo, depois prometeu fazer de sua vida um inferno.
Mauro
é um homem tranquilo e gentil, inteligente, sabe cozinhar e gosta de cuidar das
crianças, um homem que toda mulher queria ter, com exceção da sua ex: pediu
o divórcio alegando que perdera a paciência com sua quase perfeição, “enjoado
demais” dizia ela.
Foi
num estacionamento do shopping que se conheceram. Mariana seguia secretamente a atual de seu
ex-marido, precisou fazer manobra radical e acertou a traseira do carro de
Mauro que esperava parado para entrar de ré na vaga deixada por Mariana. Ela
saltou do carro para ver o estrago. Mauro esboçou um pequeno sermão
que culminaria na cobrança do prejuízo causado quando Mariana perguntou, cinicamente, o
que fazia com o carro parado a sua frente: o argumento de Mariana era tão
absurdo que deixou Mauro sem palavras.
Mariana
gritou, xingou aquele que julgava ser seu algoz, afinal perdera a sirigaita de
vista. Depois, percebendo a expressão estupefata do sujeito, aproveitou-se e
simulou um ataque de nervos. Por fim, ela tirou os sapatos, Mauro protegeu a
cabeça com os braços, julgando que seria atacado a sapatadas, “estaria enlouquecida?”.
Ela sentou-se no meio fio e chorava como criança, agora completamente entregue
e sincera... o homem compadecido pela mocinha descomposta ofereceu-lhe o ombro,
perdoou-lhe a dívida, ofereceu-lhe uma carona e por fim o seu coração, só
pediu-lhe em troca que o aceitasse em casamento.
Além
dos filhos que já tinham, tiveram mais dois. Uniram suas escovas de dente
debaixo do mesmo teto, o do banheiro nesse caso. Porém, assim como a escova de
dente, o carro cada um tem o seu: não se empresta e não se fala mais nisso!
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